Vila Franca de Xira, 29 de Setembro de 2013
Hoje, Domingo de eleições autárquicas, obtive informação através da página oficial da junta de freguesia desta cidade que às 12h00m verificava-se uma adesão ao acto eleitoral de 14,89%. Se estes valores se mantiverem até ao final do processo eleitoral, o que duvido, representará um grande nível de abstenção.
Ora foi sobre o fenómeno abstenção que resolvi pesquisar nos textos legais, desde a Constituição da República, às leis eleitorais para os vários órgãos de soberania.
Dos textos lidos, destacando a Constituição da República Portuguesa e Lei Orgânica nº1/2001, de 14 de Agosto - LEI ELEITORAL DOS ÓRGÃOS DAS AUTARQUIAS LOCAIS, não há qualquer referência a "abstenção" nem às consequências da mesma. Existe assim portanto um vazio legal sobre a mesma que, por omissão, dá aos cidadãos o maior poder de todos.
O poder de mudar!
Mas por oposição, também não há qualquer referência ao número mínimo de votos necessários para que os actos eleitorais e seus resultados sejam válidos. Também por omissão verifica-se que basta que exista um eleitor votante cujo acto não seja nulo ou em branco para que se fique legitimada a eleição dos órgãos políticos a votação.
(Volto a frisar que isto baseia-se exclusivamente à luz dos textos pesquisados.)
(Volto a frisar que isto baseia-se exclusivamente à luz dos textos pesquisados.)
Desta dicotomia conclui-se que para mudar um sistema político falso, que não protege a democracia, como este que temos desde o 25 de Abril de 1974, o povo tem de se unir e lutar por uma percentagem de 100% de abstenção. Porque só assim se poderá aproveitar o poder desse vazio legal para mudar.
Enquanto não acontecer o fenómeno desejado de 100% de abstenção, ao contrário do que muitos acham que ocorre com eleições, não haverá mudanças. As mudanças implicam um corte com o passado. E na realidade as mudanças que vão ocorrendo de 4 em 4 anos, de 5 em 5 conforme o tipo de eleições são apenas pseudo-mudanças.
Mudam-se, ou melhor, trocam-se os rostos do sistema político, as suas cores, mas não o próprio sistema.
Após quase 35 anos do final de um sistema político ditatorial o que foi que realmente mudou? Nada!
E quantos mais anos serão necessários para se perceber que nada mudou?
Quanto mais tempo o povo português insistirá em não cortar com o passado e em continuar a abster-se de lutar pela mudança?
Termino com uma declaração pessoal. A abstenção não é demissão de responsabilidade nem a despreocupação com o estado do país. É a maior e melhor arma de luta para derrubar um sistema político que não nos serve. É a defesa da Democracia.
Portanto, seja o que for que façam hoje e em outras datas similares, façam-no em consciência e certeza.
Portanto, seja o que for que façam hoje e em outras datas similares, façam-no em consciência e certeza.
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